Algo a mais

RELAÇÃO OBRA E TEMÁTICA DA REPRESENTATIVIDADE DA MULHER

Por: Clara Mendes

Este desenvolvimento é parte de um artigo acadêmico apresentando por mim e meus colegas em relação ao livro ” A hora da Estrela” de Clarice Lispector. Onde o desenvolvimento é totalmente de minha autoria.

DISCURSSÃO

 

Um dos assuntos mais tratados no livro é o preconceito sofrido por mulheres, e pelos nordestinos.

No início do livro o autor passa boa parte falando de sim mesmo e como a história da pobre moça o toca. Clarice Lispector (1977, p. 25)

O que escreverei não pode ser absorvido por mentes que muito exijam e ávidas de requintes. Pois o que estarei dizendo será apenas nu. […] É que esta história falta melodia cantábile. O seu ritmo é às vezes descompassado. E tem fatos.

A própria autora inferioriza seu gênero, ao se colocar como o narrador Rodrigo S. M., relatando que uma mulher não manteria uma postura séria ao narrar uma história como a de Macabéa. Seria menos agressiva e mais sentimental. O que caracterizaria uma ironia da autora em relação à condição da mulher na sociedade. Lispector (1977, p. 23)

 

Mas a pessoa de quem falarei mal tem corpo para vender, ninguém a quer, ela é virgem e inócua, não faz falta a ninguém. Aliás – descubro eu agora – eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria. Um outro escritor, sim, mas teria que ser homem porque escritora mulher pode lacrimejar piegas.

 

Rodrigo deixa claro quão machista era o mundo em 1977, onde o trabalho das mulheres era em cortiços, casas da noite e atrás de balcões de lojas, sendo facilmente substituídas tratadas com pouco esmero. Realidade mostrada na forma em que Macabéa é datilógrafa, e dorme em uma pensão com outras quatro mulheres que são balconistas. O que torna perspectível que o trabalho da mulher era bem inferior ao do homem.

 

A protagonista passa pelo que muitos hoje vivem: a solidão. Solidão por não ter amigos, solidão por não ter família, ou solidão só por solidão mesmo. Aquela que não nos faz diferença por estarmos sozinhos, a que Macabéa vivia. E só com a solidão ela se sentia livre. “Tinha um quarto só para ela. Mal acreditava que usufruía o espaço. E nem uma palavra era ouvida. Então dançou num ato de absoluta coragem, pois a tia não a entenderia. Dançava e rodopiava porque ao estar sozinha se tornava: l-i-v-r-e!” (LISPECTOR, 1977, p. 47)

 

Vivemos em um mundo que a mulher não basta estar composta, propriamente dita, e sim bem arrumada, de salto, complementando com um belo batom. Para ser notada, como se chamar atenção fosse obrigação do sexo feminino.

 

A virgem não tinha feminilidade. Não se arrumava e nem se preocupava com isso. “Ela era incompetente. Incompetente para a vida. Faltava-lhe o jeito de se ajeitar.” (LISPECTOR, 1977, p. 32). Por isso não atraia a ninguém, não despertava interesse a homem algum, muito menos em mulher. Mais num dia de chuva ela atraiu. Atraiu um nordestino. Atraiu Olímpio. Seu primeiro e único namorado.

 

Há também um machismo antigo no qual os homens muita das vezes traem ou trocam suas mulheres por outras mais arrumadas, ou mais ricas. Mais uma vez os homens demonstrando que não é o caráter que atrai. Este tipo de machismo é tratado na história ao narrar que o namorado de Macabéa lhe troca por Glória, por ser bonita, bem arrumada e filha de açougueiro.

 

Glória para consolar a amiga da dinheiro a Macabéa para ir a uma cartomante. E após sair de lá, morre como uma estrela: pela primeira vez, tendo a atenção de todos.

 

É fato que o machismo teve mais força nas décadas de 40 e 50 onde as propagandas tinham como foco, ao falar da mulher, anunciar produtos domésticos insinuando que enquanto o homem trabalha fora a mulher serve apenas para ser dona de casa. Mesmo quando o público alvo era os homens, viam com frases como “”Não se preocupe, querida, você não queimou a cerveja”, ou “Dê para o seu namorado.” e ainda “Mostre para ela que o mundo é dos homens”.

 

Isso não tira a certeza que nos anos 70 o machismo continuou, pois até nos dias atuais ele se perpetua. Tendo ainda como forte transmissor as propagandas. Tal como anúncio de cervejas e automóveis, os mais fortes em questão.

 

Mulheres casavam somente para servir seus maridos. Mesmo sendo despresadas por eles, tratadas como mero objetos, continuavam casadas. Muita das vezes sendo agredidas verbalmente, fisicamente e sexualmente pelo próprio marido e deixando isso em silencio. Só por medo de perder o esposo. Clarice relata isso muito bem em sua obra já que Olímpio de Jesus era machista, explorador e despresava Macabéa constantemente. E ela permanecia calada sem reclamar, por medo de perder seu namorado.

 

Em seu livro “A Hora da Estrela”, Clarice Lispector enfatiza a vida da pobre moça nordestina, relatando como muito nós somos tratados ao chegar a outra região. Retratando também o machismo que as mulheres sofrem desde tempos passados.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s